sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Um "coração partido" pode realmente "partir o coração"?

A ansiedade pode se manifestar com desconforto no peito, mesmo sem alterações cardiológicas. A poética descrição de "coração partido" com sensação de "aperto no peito" associada à alguma desilução é válida, mas em geral trata-se apenas de uma manifestação psicossomática (sem uma alteração física real).
Há, entretanto, casos raros de disfunção cardíaca induzida pelo estresse. É a chamada "cardiomiopatia de takotsubo", palavra japonesa para designar armadilha para pegar polvo, representada por um pote com fundo arredondado e pescoço estreito. Também conhecida como "Síndrome do Coração Partido", foi inicialmente descrita no Japão em pacientes que apresentavam quadro semelhante ao infarto agudo do miocárdio, porém com artérias coronárias normais. Predomina na população feminina e rápida recuperação do quadro e classicamente tem como fatores desencadeantes foram relacionados o estresse físico ou emocional e diversas doenças não-cardíacas.

Fonte: Arq. Bras. Cardiol. vol.90 no.3 São Paulo Mar. 2008

domingo, 2 de agosto de 2009

Ser atleta é ruim?

Há alguns dias liguei o rádio de meu carro e um famoso programa de rádio fazia uma mórbida piada com um atleta que havia falecido durante a prática esportiva. De maneira veemente afirmavam: "Mais um atleta morre! Não faça mais exercícios! Isso é perigoso!"
Seria realmente perigoso praticar exercícios físicos?
Sim e não: Já está provado que a prática de exercícios físicos promove uma redução significativa da mortalidade (leia http://cardiovirtual.blogspot.com/2009/04/eu-bebo-sim-e-vou-vivendo.html). Sabe-se todavia, que algumas pessoas podem ter predisposição para morte súbita durante a prática esportiva. Dentre as principais causas estão as miocardiopatias hipertróficas (o coração fica mais "musculoso" e, por isso, pode ter mais arritmias e outras alterações), doenças coronarianas e displasia arritmogênica do ventrículo direito (uma doença que pode promover arritmias fatais). O fato de algumas pessoas possuirem predisposição para essas patologias não deve impedir o mundo todo de fazer exercícios. Estes casos isolados devem ser apenas um alerta para que qualquer pessoa que deseja iniciar uma atividade física faça uma avaliação básica com seu Cardiologista: uma história clínica, com exame físico e eletrocardiograma podem ser suficientes para descartar a maioria dos problemas, como mostrou um estudo italiano, em 2006.

Fonte: JAMA. 2006;296(13):1593-1601.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Sexo é bom para o coração?

Estudos indicam que a frequência da atividade sexual foi um preditor de longevidade nos homens. Por sua vez, um outro estudo sueco que avaliou 128 homens casados mostrou que aqueles que interrompiam a atividade sexual antes dos 70 anos apresentavam risco de morte maior do que aqueles que continuaram "comparecendo".
Entretanto nem tudo são flores: exitem relatos de associação entre morte súbita durante a atividade sexual. Estes índices variam de 0,6-1,7%. A maioria dos casos relatados é de homens em relações extra-conjugais: Um estudo japonês mostrou que 82% das mortes durante atividade sexual são de homens e 75% estavam "pulando a cerca", na maioria dos casos com uma mulher mais jovem.
Pode ser praga das mulheres traídas, mas as conclusões destes estudos mostram que a atividade sexual é saudável com a esposa. Pular a cerca é perigoso!

Fonte: European Heart Journal Supplements (2002) 4 (Supplement H), H13–H18

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Será que "vou morrer do coração"?

"Será que vou morrer?" - Quando me perguntam isto sou enfático: "Infelizmente vai! (Só não sei quando!)" (Isto é óbvio: Ninguém é eterno!)
Da mesma forma que é impossível precisar o momento exato em que deixaremos este mundo, seria irracional tentar determinar a forma da morte.
Trabalhos científicos, todavia, podem tentar predizer o risco de que determinada doença apareça (ou que aconteça o óbito).
Na doença cardiovascular, existe o chamado "escore de Framinghan" que consegue estimar o risco de doença cardiovascular em 10 anos. Obviamente este escore não vale para qualquer pessoa e deve ser avaliado por um médico mas, para ilustrar, coloquei uma calculadora à esquerda para que você possa estimar seu o risco.
E não esqueça: Qualquer dúvida procure seu médico!

quinta-feira, 16 de abril de 2009

"Mas conheci um homem que fumava 3 maços e morreu aos 102 anos"

Caros amigos...
Tenho me deparado com frequencia com pessoas que afirmam que não irão parar de fumar, pois conhecem um parente ou amigo que fumou muito e morreu de alguma causa estúpida não relacionada ao cigarro com mais de 90 anos.
Realmente é impossível prever se alguém irá se morrer com um infarto aos 30 anos (como já vi diversas vezes), ou se vai acender um charuto nas velas de aniversário de 100 anos. A estatística, todavia, mostra claramente que a MAIORIA das pessoas que fuma vai morrer mais cedo.
Não se importa com estatística?
Pois bem: em 2005 um Boeing 737-200 sacudiu violentamente pouco depois da decolagem, inclinou-se para a esquerda e caiu numa rua movimentada de Medan, a terceira maior cidade da Indonésia. Pelo menos 147 pessoas morreram, muitas delas em solo. Entretanto, 16 pessoas sobreviveram. LOGO, por esta falácia que muitos insistem em repetir, não haveria problemas em entrar em um avião com problemas, porque mesmo que este venha a cair, não haveria risco algum já que 16 pessoas sobreviveram em um acidente na Indonésia!!
E assim questiono: vale a pena continuar no "avião com problemas" só porque "conhece alguém que não morreu"?

domingo, 5 de abril de 2009

... Eu bebo sim, e vou vivendo... ???

Caros amigos!
Li há alguns dias uma matéria que anunciava a descoberta dos benefícios do álcool! Isto não é uma notícia nova! Na realidade há alguns anos foi realizado um estudo que avaliou mais de 15 mil pessoas, em que se pesquisou potenciais fatores de risco cardiovascular. O estudo, chamado "INTERHEART" mostrou alguns resultados interessantes, como fato que os fatores psicológicos (depressão/ansiedade) trazem mais risco de infarto. Se perceberem no gráfico do trabalho (ao lado), os risquinhos/quadradinhos que estão à direita são fatores que trazem "risco" e os à esquerda "proteção". Olhem onde está o álcool!! É por isso que o grande poeta já dizia: "Eu bebo sim, e vou vivendo... Tem gente que não bebe e tá morrendo!"
Fora a brincadeira: O estudo considerou consumo moderado de álcool. Isso é uma dose por dia. Algo como menos de uma garrafa de cerveja aos homens e uma latinha para as mulheres. E não vale acumular a cota para o final de semana! Outra coisa: NUNCA se deve estimular a beber alguém que não bebe, já que os prejuízos de se "criar" um etilista são piores que os potenciais benefícios da cana! Ou seja: se não bebe, não começa; se bebe, aprende a beber direito!